Tento
pintar o dia
com a cor
dos risos
que me
sobram da infância.
Equilibro as
memórias no gume dos dias
e ouço
deliciada o eco das cores
e dos
cheiros distantes.
Deixo que
as horas se desfaçam
em outras
horas cada vez mais miudinhas
e respiro o
encanto em sílabas lentas
suspensas
nos andaimes da lembrança.
Troco tudo
pelo sortilégio dos dias sem sombras,
das vozes
pequeninas,
dos
sorrisos redondos e frescos,
dos olhares
sem fantasmas,
do
gargalhar de cristal deixando antever dentes miudinhos,
dos cheiros
bons a terra, a erva e a rio
das cerejas
macias,
das talhadas
de melancia muito vermelhas
e túrgidas
de doçuras insuspeitas.
Hoje tento
ignorar possíveis intimidades com o futuro
e troco
tudo pela ilusão de ser pequenina outra vez.
2017-06-01

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