terça-feira, 23 de maio de 2017

23 de Maio de 2017 (Manchester)

Imagem de Waleria Lima

Tenho a mão agrafada a palavras
que não querem sair
que não passam de pensamento, de choro,
de fogo cravado em carne, em sangue.

Tingiram-se os girassóis de vermelho,
calados pelo idioma do terror,
pelo frio dos corpos caídos.

Não sei que fazer com esta ave negra
que me esvoaça na alma

E cresce em mim
uma dor de granito com raízes fundas,
uma febre imensa e má,
um medo que esmago nos dentes.

Como sacudir a estupidez, o ódio,
a intolerância, a ignorância?
Como matar a ave negra?



23-05-2017

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