sábado, 25 de abril de 2026

                                                           Aguarela de Manuela Silva

O cravo vermelho

 

Ofereceram-me um cravo.

É vermelho esse cravo.

Não é um cravo daqueles que cresce 

de raízes presas à terra.

Não, é dos que nascem da vontade 

e dos sonhos de alguém.

 

Coloquei-o no peito porque é Abril 

e porque com ele despertaram 

os sons azuis das gaivotas.

Daquelas que voam, 

das que têm asas  de vento.

Das que dizem que nenhum silêncio é eterno

quando a vontade se levanta.

 

Acordaram também as memórias 

de uma tal vila morena 

onde em cada esquina se encontra um amigo. 

Daqueles que oferecem cravos 

vermelhos, lindos.

Dos que nos fazem reacender a esperança.

Dos que sabem que a liberdade 

só o é quando cabe em todos.

Daqueles que trazem no rosto 

a dignidade de se ser inteiro.

Dos que nos fazem ainda acreditar.

 

Trago este cravo no peito porque julgo 

que a liberdade se rega todos os dias, 

que a igualdade se constrói com passos certos

e que a solidariedade pode começar 

no gesto simples de estender a mão.

 

É Abril

e eu tenho um cravo vermelho!

 

Celeste Pereira

2026-04