Estou assim
como que parva,
sem
palavras,
sem gestos,
sem vontade,
tolhida
pela raiva.
Tenho o
coração fora do peito
e as
lágrimas presas às imagens de inferno
que as notícias
me trazem.
Algo me diz
que há por aí
um deus mal
informado ou cruel
ou cruel e
mal informado
que consente
tragédias assim.
Por mais que
tente
– e não
paro de tentar –
não consigo
tolerar este tremendismo,
este
exagero de dor,
esta tirania
da impotência.
Num tempo
em que a ilusão
é a de ter
as rédeas de tudo bem presas aos punhos
esta incapacidade
de controlo
desmonta todas
as certezas,
cava um abismo
de indescritíveis desassossegos
e acende um
medo sem fim.
Fico sem ter
mar onde me agarrar
O mundo vai-se
consumindo em chamas
e eu cada
vez mais fábula.
Afinal
quanto vale um homem?
2017-06-18

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