O cravo vermelho
Ofereceram-me um cravo.
É vermelho esse cravo.
Não é um cravo daqueles que cresce
de raízes presas à terra.
Não, é dos que nascem da vontade
e dos sonhos de alguém.
Coloquei-o no peito porque é Abril
e porque com ele despertaram
os sons azuis das gaivotas.
Daquelas que voam,
das que têm asas de vento.
Das que dizem que nenhum silêncio é eterno
quando a vontade se levanta.
Acordaram também as memórias
de uma tal vila morena
onde em cada esquina se encontra um amigo.
Daqueles que oferecem cravos
vermelhos, lindos.
Dos que nos fazem reacender a esperança.
Dos que sabem que a liberdade
só o é quando cabe em todos.
Daqueles que trazem no rosto
a dignidade de se ser inteiro.
Dos que nos fazem ainda acreditar.
Trago este cravo no peito porque julgo
que a liberdade se rega todos os dias,
que a igualdade se constrói com passos certos
e que a solidariedade pode começar
no gesto simples de estender a mão.
É Abril
e eu tenho um cravo vermelho!
Celeste Pereira
2026-04




