sábado, 6 de maio de 2017

Às mães

A minha mãe, a minha tia (também uma Mãe) e eu

As mães são lindas! 
Mesmo quando o não são, 
são lindas. 
São lindas e cheiram muito bem. 
E têm um colo macio e morno
com a dimensão exacta,
de todos os nossos tumultos,
de todos os nossos silêncios,
de todos os nossos desejos.
São portos de quietude
e guardam em si a memória
de todo o tempo.
Têm mãos enormes e doces
que nos tocam com a brandura das ondas,
e nos aquecem, nos confortam
e empurram mansamente as tristezas. 
Acendem luzes nos corredores mais escuros
por onde, por vezes, vagueamos perdidos.
Estão lá naquele preciso momento
em que nos sobra a felicidade
e não sabemos onde vertê-la, 
ou então nos falta muito
e tudo ameaça quebrar-se.
Estão apenas lá
e, sendo tão pouco,
é tudo.
E mesmo de peles vincadas,
de cabelos encanecidos,
de andares hesitantes,
de costas encurvadas,
de falas inseguras
são lindas!
E têm estrelas nos olhos.

Celeste Pereira
2017-05-06

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