terça-feira, 25 de abril de 2017

Inevitavelmente Abril


                                                      
                                                          Fotografia de Mota Isfil


Abril outra vez
e outra vez esta necessidade imensa
de avivar momentos,
de procurar as palavras certas
nos andaimes da memória
e de as enfeitar de cravos rubros.

Apetece soltar a voz
em ondas largas de inquietude
em gritos azuis de gaivotas e
calá-la apenas para além do adeus.

Apetece ainda acordar a esperança,
o sonho, o desassossego
presos, aqui e ali,
às raízes das pedras
e enfeitar de novo o poema.

É Abril,
Inevitavelmente Abril
e às vezes,
está sol.

2017-04-25

terça-feira, 11 de abril de 2017

Dias de Abril


Sansa a cuidar da orquídea

Chegam assim,
de mansinho,
os dias de Abril.
Primeiro estendem-se as horas
num respirar brando
de sílabas lentas.
Depois são as teias
muito fininhas
que se enchem de brilhos novos
e de resplandecências translúcidas
como memórias muito antigas.
São ainda as flores
de cores vibrantes
e ébrias de odores doces
que se espalham em geografias aleatórias
que só elas e os poetas entendem. 
E nesses dias,
os meus olhos,
muitas vezes olhos de chorar,
vestem-se de todas as cores
com que se perfuma a vida
e riem.

2017-04-11