segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Sabes

Sabes, hoje sinto-me triste
Estou de alma rasgada
presa na saudade do futuro
e choro

sabes, hoje despi-me de metáforas
e esboço gestos que me prendem às pedras.
Interrompo o desabrochar dos sonhos
que se perdem tontos
nas franjas de uma gramática dorida
e tinjo as pálpebras de névoa

sabes, hoje prendi as imagens, os sons, os odores
que se esgueiravam pelas traseiras do tempo
e construí uma grafia de promessas e de saudades

sabes, hoje sou eu, inteira
de alma mordida
presa no sufoco doce e lento
do ranger do tempo.


2016-09-26